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Boas práticas de manejo florestal em pauta no Pará

Durante dois dias, Instituições nacionais e internacionais discutirão sobre a implantação de boas práticas de manejo florestal na Amazônia.

Belém, 23 de março de 2006 - Na próxima segunda-feira (27), enquanto o Brasil atrai a atenção do mundo para a 8ª Conferência das Partes sobre Diversidade Biológica, inicia em Belém uma reunião bastante significativa para a aplicação de boas práticas de manejo florestal em toda a Amazônia brasileira. O encontro terá a duração de dois dias e reunirá representantes de dez instituições nacionais e internacionais - entre órgãos de pesquisa, empresas privadas, financiadores e ONGs.

Serão apresentados durante o evento os principais resultados já alcançados e as propostas das futuras ações do Projeto Bom Manejo (PBM), realizado pela parceria entre Embrapa Amazônia Oriental, o Centro Internacional de Pesquisa Florestal (CIFOR), o Instituto Floresta Tropical (IFT) e as empresas Cikel e Juruá, com o financiamento da Organização Internacional de Madeiras Tropicais (OIMT - ITTO, sigla em inglês). Como principais resultados, os órgãos financiadores aprovarão o relatório das atividades já desenvolvidas e um novo plano de ação que será executado pelo Projeto até o ano que vem.

A idéia central do PBM é incentivar entre as empresas florestais a adoção de boas práticas de manejo, que garantam a sustentabilidade econômica, social e ambiental da exploração madeireira. Aprovado em 1999, o Projeto inicialmente desenvolveu um conjunto de ferramentas silviculturais (relacionadas às operações na floresta) e gerenciais, que objetivam fornecer às empresas do setor benefícios econômicos e a redução de impactos ambientais.

Atualmente, ele encontra-se em sua segunda fase, chamada de “validação”, em que as ferramentas desenvolvidas serão testadas e aprovadas pelas empresas parceiras, a Juruá e a Cikel. A idéia dessa etapa de validação é garantir a sustentabilidade e a eficiência do modelo de manejo florestal. Com a conclusão dessa fase, entre outros resultados, serão apresentados os benefícios e as vantagens econômicas, ecológicas e sociais do SMF em relação às práticas convencionais.

Outro objetivo do PBM nesse momento é treinar profissionais da área, com o intuito de despertar o interesse das empresas em relação às boas práticas de manejo florestal. Para isso, o Instituto Floresta Tropical realiza um importante trabalho de capacitação de profissionais em exploração de impacto reduzido.

Uma terceira fase, a da “disseminação”, deverá iniciar ano que vem e terá como foco principal à divulgação das ferramentas do Bom Manejo em toda a Amazônia brasileira. A etapa da disseminação permitirá que o sistema de manejo criado seja adaptado a outras condições – ambientais, sociais e econômicas – da região amazônica.

“O Projeto procura remover o principal obstáculo à aplicação de boas práticas de manejo florestal na Amazônia: a incipiente capacitação dos atores envolvidos na atividade. As ferramentas desenvolvidas visam justamente facilitar essa capacitação. Um ator muito importante é o governo e, por esse motivo, o projeto está ajudando a melhorar a auditoria dos planos de manejo florestal, assim como contribui para o aprimoramento da legislação florestal brasileira”, afirma Natalino Silva, coordenador do Projeto Bom Manejo.

As instituições participantes da reunião são a Embrapa Amazônia Oriental, o CIFOR, o Instituto Floresta Tropical, a OIMT, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), a Universidade de Freiburg, e as empresas Juruá Florestal e Cikel Brasil Verde Madeira.

Ferramentas - Durante a reunião, serão avaliados os principais resultados e perspectivas sobre o sistema de manejo florestal proposto pelo Projeto Bom Manejo. Esse sistema é composto por um conjunto de ferramentas silviculturais e gerenciais voltados aos benefícios econômicos duradouros e ambientalmente sustentáveis de uma empresa.

As ferramentas silviculturais deverão melhorar a eficiência econômica das operações florestais e reduzirão os impactos ambientais negativos. Já as gerenciais (de contabilidade, monitoramento e análise e planejamento) auxiliarão o planejamento econômico, o controle e a execução dessas operações, facilitando a elaboração de análises e de relatórios integrados.

“As ferramentas silviculturais estão ligadas à função ambiental e têm o objetivo de definir as diretrizes a serem utilizadas pelas empresas madeireiras. Elas acompanham todo o processo operacional na floresta, do planejamento até a pós-colheita. Já as gerenciais fornecem às empresas condições de fazerem o planejamento e o controle organizacional, envolvendo as etapas de quantificação da matéria-prima, controle da produção e da industrialização”, completa João Olegário de Carvalho, coordenador adjunto do Bom Manejo.

Importânica: Um estudo realizado pela Embrapa, em 1995, concluiu que nenhum dos projetos supostamente sob manejo na região de Paragominas – principal região paraense produtora de madeira - seguiam os princípios técnicos de bom manejo florestal. A falta de capacitação dos profissionais da área, a abundância de madeira barata de fontes não-sustentáveis e o controle inadequado por parte das instituições responsáveis foram os principais problemas identificados pela pesquisa.

Atualmente, esse quadro não é muito diferente. Apesar de algumas mudanças consideráveis nos últimos anos, a maioria das empresas não obedece aos regulamentos brasileiros de manejo florestal.

O Projeto surgiu para validar e aprimorar boas práticas de manejo, que possam ser adotadas por empresas de médio e grande porte. Entre as principais vantagens da utilização de um sistema desse tipo, está a possibilidade de certificação das empresas, com o significativo aumento dos preços da madeira e da eficiência das atividades madeireiras. Além dos benefícios econômicos e ambientais, o Projeto prevê o desenvolvimento social, através da valorização e capacitação dos profissionais da área, entre outros exemplos.